MIRAGEM
Meus olhos não se cansam de te ver Meus olhos não se cansam de te olhar Como os rios não se cansam de correr Como os rios correm sempre para o mar!.. E quedo-me a ti admirar E ao ver-te assim, tão bela, ó que prazer Que os olhos dum poeta podem ter Que o seu coração possa desejar! E qual, um beduíno errante Que avista um oásis distante Se alegra contemplando uma ilusão... Em meus olhos já gravei a tua imagem Ainda que tu sejas só miragem Que eu possa te guardar no coração!.. Israel Santos Ribeiro
Escrito por Doutorisa às 20h56
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VARIAÇÕES SOBRE O AMOR Pego-me às vezes, pensando: O que seria o amor?... O que inspira os poetas Ou a beleza duma flor?... O que seria, um sentimento? Seria eterno ou de momento, Algo palpável ou abstrato Que se sente, mas, não se vê?!. Que existe, eu sei, pois o sinto Às vezes doce como o mel Outras, amargo como absinto E amo... Assim... Sem saber por quê!... Quando penso no amor, quando medito Creio ser algo tão bonito Embora, o escreva assim, com letras feias... O amor é insondável Só quem ama o entende, não se explica É uma força infinita A essência que corre Em minhas próprias veias. Israel Santos Ribeiro
Escrito por Doutorisa às 20h54
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“VALERIM”
“Seria cômico, se não fosse trágico” Vê o pobre maltrapilho, pela rua, Passos bêbados, andar, desajustado Mendigo, miserável, a alma nua!.. Donde vem, aonde vai, qual é seu nome: Onde será que passa as noites, esse coitado? Quem há que se importe com o que sente Para muitos, ele mesmo nem é gente Mas, um bicho, que deve ser enxotado E ao lhe ver perambulando por ai... A comer, restos, migalhas, e ser zombado Por alguns que se julgam ser melhores (E, quem garante, se não são até piores) Que o “Louco” que da razão foi privado!... Reflito, - e dói-me em pensar! (Mas ele não pensa no agora, e no depois...) E por não poder usar sua mente Eu acho que aquele indigente Talvez, seja, mais feliz do que nós dois! Israel Santos Ribeiro
Escrito por Doutorisa às 20h48
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CIDADÃO DO TERCEIRO MUNDO Eu sou latino, mas não sou cachorro! Quero os meus direitos!, Sou um cidadão, Remanescente dos escravizados E dos flagelados do Sertão! “Terceiro Mundo Regional” Aqui o bicho pega sem correr Miséria, miséria em toda parte A gente não tem o que comer; Enquanto eles tomam chapangne Nem o osso a gente pode roer! Esses homens prometem e não cumprem Parece que gostam de ver Crianças chorando de fome O homem plantar sem colher; São os donos da ‘indústria da seca’ A escada que leva ao poder! Mas um dia Deus vai virar o jogo Essa terra Ele vem libertar Consolar o seu povo que chora E o joio, de uma vez arrancar; E eu mesmo o verei face a face E o ‘Sertão, então, vai virar mar!..’ Israel Santos Ribeiro
Escrito por Doutorisa às 20h47
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AMOR E POESIA
Canto de pássaros, barulho do mato, Na serra nasce um novo dia Águas cristalinas dum manso regato Que a minha sede sacia... Uma suave calma Invade minh’alma Transbordando amor e poesia!... Raios de sol, cor da primavera, Borboletas multicores Os passarinhos afinam a orquestra E entoam lindos louvores Perfeita harmonia, Amor e poesia Brotando das pétalas das flores!... Noite de lua, o céu tão bonito O sol já dorme no poente Seu olhar vagueia, fitando o infinito Ou alguma estrela cadente... Tudo é nostalgia É amor e poesia Pulsando no peito da gente! Israel Santos Ribeiro
Escrito por Doutorisa às 16h19
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SAUDADE E EU Saudade chega de longe De lugares por onde passei Saudade dói no meu peito Por qual motivo não sei! Saudade é um caminho longo Que meu coração percorreu É um barco que parte Deixando no porto Saudade e eu. Saudade é um sentimento Lembranças do que se viveu Quem ama sente saudade Assim... Como eu! Israel Santos Ribeiro
Escrito por Doutorisa às 16h05
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TARDE DE DEZEMBRO Uma tarde de dezembro – calma, Sinto paz em tudo, ao redor de mim; Mas, trago uma inquietude n’alma Que não se acalma, nem ainda assim! Lá fora, os passarinhos gorjeiam, eu os escuto; E no meu peito, as batidas do meu coração, Estranho sentimento que ainda perscruto Qual será o tema da sua canção?...
Ah! Nessa tarde calma quem me dera Admirar a cor da primavera E sentir, no ar a sua fragrância... E sossegar minh’alma – e, talvez, Eu poderia sorrir outra vez Como nas tardes calmas de minha infância!... Israel Santos Ribeiro
Escrito por Doutorisa às 16h03
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